Na coleção Spring 26 da Chloé, a estilista alemã Chemena Kamali (45) aproveita o momento de transição vivido pela moda para aprofundar sua leitura sobre a identidade da casa e, ao mesmo tempo, deslocá-la com cuidado. Além de reafirmar códigos estabelecidos, a diretora criativa parte de uma reflexão mais ampla sobre a reinvenção e a continuidade, olhando para o passado da marca como um terreno para expansão e não como um limite.
Ao assumir o legado da chamada Chloé Girl, Kamali mantém o espírito feminino, fluido e leve que se consolidou ao longo das décadas, mas escolhe recuar ainda mais no tempo para encontrar novas possibilidades dentro desse mesmo vocabulário.
A fundadora da maison, a estilista egípcia Gaby Aghion (1921-2014), surge como referência central, especialmente pelas silhuetas desenvolvidas nas décadas de 1950 e 1960, marcadas por volumes generosos e uma abordagem couture do vestir cotidiano. Kamali revisita essas formas retirando qualquer rigidez estrutural, eliminando construções excessivas e permitindo que a matéria-prima conduza o desenho das peças.
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O resultado se manifesta em vestidos, saias e conjuntos que preservam a exuberância do passado, mas ganham leveza, movimento e uma sensação de espontaneidade mais alinhada ao presente. A energia vibrante aparece nos acessórios, com bolsas que remetem a toucas de piscina e calçados que são híbridos entre salto e slide, criando um diálogo descontraído entre moda, corpo e lazer.
Ao longo do desfile, a paleta se acalma e retorna aos tons clássicos da Chloé, com terrosos claros, brancos arenosos e marrons escuros, aplicados em peças pensadas para o cotidiano, mas com o glamour pontual de um passado onde a casualidade era tratada com mais esmero. Kamali demonstra um entendimento maduro de como expandir o repertório da marca sem romper com sua essência.
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